20 de abril de 2024

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Cargas: rombo bilionário

Roubo de cargas registra 1,2 bilhão de prejuízos no Brasil em 2022, aponta a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística. Embora o cenário seja melhor que o de 2021, os números ainda continuam altos

A Associação Nacional de Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) divulgou os resultados de sua pesquisa abordando o panorama do roubo de cargas no Brasil em 2022. De acordo com os dados coletados pela entidade, em parceria com órgãos públicos e privados, houve uma redução significativa de 9,1% em relação ao ano anterior, totalizando 13.089 registros.

A região Sudeste continuou concentrando o maior número de casos, representando 85,18% das ocorrências, seguida pelas regiões Sul (6,12%), Nordeste (4,66%), Centro-Oeste (2,81%) e Norte (1,23%). Em termos monetários, as perdas ocasionadas por cargas roubadas somaram cerca de R$ 1,2 bilhão em todo o país.

Segundo Francisco Pelucio, presidente da NTC&Logística, a associação tem acompanhado de perto a situação do roubo de cargas há mais de 25 anos junto com a sua área de segurança.

“A cada ano vemos os números reduzirem, mas mesmo assim precisamos continuar combatendo para que um dia consigamos não ter que apresentar dados como esse. A NTC&Logística vai continuar trabalhando em estreita colaboração com as autoridades de segurança pública e com o governo federal para que eles nos ajudem a diminuir números ano após ano”, enfatiza.

A pesquisa identificou que alimentos, combustíveis, produtos farmacêuticos, autopeças, materiais têxteis e de confecção, cigarros, eletroeletrônicos, bebidas e defensivos agrícolas são as mercadorias mais visadas por quadrilhas e grupos criminosos.

Roberto Mira, vice-presidente de segurança da NTC&Logística, destaca que nos últimos quatro se tem visto uma diminuição considerável, pois o trabalho desenvolvido pela entidade junto aos órgãos públicos e privados tem fornecido apoio ao enfrentamento, o que é importante para que possam continuar desenvolvendo as atividades com segurança.

O vice-presidente ressalta também que o setor de transporte tem se empenhado no combate ao roubo de cargas desde a aprovação da Lei Complementar nº 121/06 em 2006, que estabeleceu o Sistema Nacional de Combate ao Crime.

Mira diz ainda que, ao longo de 25 anos desde a primeira redação do texto em 1997, a associação, junto às empresas e às instituições, dispõe de recursos humanos e tecnológicos mais robustos para coletar dados, para identificar as causas dos incidentes e para propor soluções integradas ao Poder Executivo e às polícias nacionais e estaduais. Apesar dos desafios existentes, o setor se encontra em uma posição privilegiada para lidar com esse desafio.

O executivo destaca também que a resposta aos problemas atuais segue a mesma estratégia adotada nos anos anteriores, que consiste no fortalecimento da ação dos órgãos de segurança pública e no estreitamento de parcerias com as empresas do setor e com suas entidades representativas. Essa abordagem tem se mostrado eficaz ao longo do tempo.

“Uma das ferramentas fundamentais para lidar com as interferências no transporte de cargas são os sistemas de rastreamento e verificação da qualidade do transporte, que têm se mostrado cada vez mais importantes a cada ano. Esses sistemas permitem acompanhar em tempo real a localização e o status das cargas, o que auxilia na identificação de possíveis problemas e na tomada de ações rápidas para solucioná-los”, defende Mira.

Ele também comenta que “o setor de transporte tem demonstrado um grande interesse em soluções modernas, o que tem impulsionado o investimento em áreas de gerenciamento de risco nas transportadoras. Isso significa que as empresas estão se tornando cada vez mais preparadas e equipadas para lidar com os desafios relacionados ao roubo de cargas. Essa postura proativa é fundamental para continuar reduzindo os índices desse tipo de crime”.

“Para garantir uma abordagem eficaz no combate ao roubo de cargas, é crucial manter um cenário de parcerias sólidas entre o setor de transporte, as entidades representativas e os órgãos de segurança pública. Além disso, é importante continuar apostando em abordagens e em tecnologias que se mostrem efetivas, buscando constantemente aprimorar e adaptar as estratégias conforme surgem novos desafios. Dessa forma, o setor mantém uma posição privilegiada para enfrentar esse desafio e proteger as cargas transportadas em todo o país”, finaliza Roberto Mira.

Com a crescente insegurança nas rodovias, caminhoneiros e gestores de frota atentam-se a diversos critérios antes da viagem. Um dos principais é como prevenir o roubo de carga. Esse é um desafio e tanto entre as transportadoras, especialmente nas estradas brasileiras.

Dicas

Segundo o comitê de transporte de cargas do Reino Unido, chamado Joint Cargo Committee, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking de países com maiores riscos de roubo de carga, empatando com o Iraque e a Somália e perdendo para países em guerra como Afeganistão, Líbia e Síria. Considerando essa realidade, reunimos algumas recomendações para que você se proteja melhor e consiga efetuar as entregas com segurança e dentro do prazo. Confira!

Evite agendar viagens noturnas

O período noturno nunca foi o melhor horário para viajar. Isso porque existe menos movimento e bandidos conseguem passar despercebidos, além de aumentar a probabilidade de sabotagens ou acidentes.

Isso é notadamente verdadeiro para o transporte de cargas, em que os motoristas podem passar um bom tempo ser avistar nenhum outro veículo ou ponto de parada. Portanto, é mais seguro agendar seus trajetos para que ocorram durante o dia.

Além disso, estude diferentes locais e circunstâncias, pois cada um possui riscos distintos, dependendo do horário. Dentro do perímetro urbano, por exemplo, é mais comum que as mercadorias sejam roubadas no início do dia, quando o caminhão está reabastecendo lojas.

Sendo assim, considerar e definir os melhores horários para seus percursos é crucial para evitar a violência nas estradas. Entretanto, se for preciso viajar nesse horário, avalie o que pode ser feito para reduzir os riscos.

Comunique-se

As empresas que solicitam fretes estimam muito pela segurança das mercadorias, dos caminhões e dos motoristas. Afinal, ambas as partes saem no prejuízo se houver um roubo de carga ou qualquer tipo de acidente.

Por isso, é fundamental contar com um sistema de comunicação para que os profissionais relatem as viagens com alguma frequência. Afinal, esse hábito pode reprimir diversos riscos.

Por exemplo, estabelecer contato com a transportadora e/ou com a instituição que contratou o frete permite que todos mantenham-se informados sobre o trânsito, com notícias sobre as vias que apresentam maior perigo.

Em geral, o contratante prefere que seus produtos sejam entregues em cima do prazo do que tê-los roubados no meio do trajeto. Se for possível, informe duas vezes ao dia a posição dos seus veículos e o progresso das rotas, sobretudo se elas forem longas.

Planeje trajetos de menor risco

Certamente, o melhor modo de evitar um roubo de carga é não passar por locais de alto risco. Grande parte das rodovias e cidades têm locais onde a probabilidade de assaltos é maior. Ou seja, quanto menos sua equipe puder passar por essas áreas, melhor.

Uma forma de fazer esse planejamento é com o auxílio de um sistema de roteirização, com um mapa virtual que detecta informações sobre o trânsito e suas principais áreas de risco.

Ao coletar esses dados estratégicos, você descobre onde ocorrem mais assaltos e quais horários são mais seguros. É um investimento bastante útil diante da segurança que é oferecida.

Use gaiolas para diminuir os riscos

Um recurso inteligente que pode frustrar as ações de criminosos é colocar os produtos em gaiolas dentro do veículo. Muitos furtos ocorrem quando o caminhoneiro para em algum local de descanso pouco movimentado, deixando a carga mais à vista. Quando os meliantes percebem algum caminhão mais vulnerável, eles costumam entrar em ação imediatamente.

Ao usar gaiolas na carga, eleva-se a dificuldade que os bandidos teriam para pegar a mercadoria, o que exige ferramentas pesadas, atrapalha o deslocamento e chama mais atenção.

Na maioria dos casos, isso pode ser o bastante para fazer pessoas mal intencionadas mudarem de ideia. É um investimento simples e que evita diversos prejuízos ao longo do tempo.

Treine os motoristas

Os condutores são os primeiros alvos do roubo de carga. Logo, precisam receber treinamentos e instruções quanto às condutas preventivas que têm de ser tomadas para ampliar a sua segurança.

Alguns ensinamentos que devem ser passados para esses profissionais são:

Manter a vigilância caso algum automóvel siga o caminhão;

Tomar cuidado com falsas blitz;

Informar à polícia rodoviária se notar qualquer movimento suspeito;

Não falar com estranhos sobre a carga que está carregando ou o trajeto de entrega.

Descubra quais são as mercadorias mais visadas

Os bandidos estão cada vez mais ousados, prova disso são aqueles que se disfarçam de empresários para roubar carga. Além disso, ainda existem algumas categorias de produtos que são mais visadas e no topo dessa tabela estão os dispositivos eletrônicos.

Veículos que carregam celulares, computadores, notebooks e televisores são os mais procurados pelos infratores. A frequência de roubo desses itens faz com que os que chegam ao destino final fiquem mais caros do que deveriam.

Rastreie o veículo

Adotar um rastreador é uma excelente pedida para identificar qualquer sinal de furto e tomar as providências necessárias. É permitido, por exemplo, instalar um alarme que notifica as autoridades, caso o veículo mude de rota. Dessa forma, ele pode ser encontrado rapidamente, frustrando a ação criminosa.

Em algumas ocasiões, os bandidos levarão o caminhão no processo, deixando-o assim que conseguirem transferir a carga. Com um sistema de GPS, é possível recuperar o veículo junto a qualquer mercadoria que tenha sido deixada para trás.

Isso ameniza os danos e evita que o motorista perca seu instrumento de trabalho. Se houver alguma apólice de seguro para os produtos transportados, então a perda será ainda menor.

Denuncie

Em casos de assalto, não deixe o fato passar em branco. Denunciar é tão importante quanto se prevenir, já que, assim, você contribuirá com o registro do local em relação aos riscos.

Sendo assim, o caminhoneiro deverá discar o 191, detalhando o ocorrido. A transportadora deve dar prioridade à solicitação de um boletim de ocorrência na delegacia do município correspondente às imediações de onde o roubo ocorreu.

Lembre-se que quanto mais rápido a Polícia Rodoviária for comunicada, maior será a chance de encontrar o veículo e a carga levada.

Bruno Castilho

bruno@cargasetransportes.com.br