20 de abril de 2024

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Free flow pode minimizar tempo no transporte rodoviário de cargas. Nova tecnologia demonstra ser alternativa promissora para o Brasil. Os portais de cobrança automática estão situados em três pontos da BR-101: km-414, km-447 e km-538, com 100% de funcionamento

O pedágio free flow entrou no último mês como o primeiro sistema inovador do Brasil na rodovia Rio-Santos, localizada na BR-101, no estado do Rio de Janeiro. Os portais de cobrança automática estão situados em três pontos, km-414, km-447 e km-538, com 100% de funcionamento.

 Esse modelo de pedágio é um sistema automático de cobrança que não utiliza as tradicionais praças com cancelas compostas em determinados trechos das rodovias pelo país. Com isso, dispensa a necessidade de redução de velocidade e a parada para o pagamento da tarifa. A estrutura é equipada por diversas câmeras e antenas capazes de reconhecer os mais diversos veículos.

A identificação pode ser realizada através da tag de cobrança de pedágio instalada no veículo ou pela placa. Os sensores presentes acoplados do equipamento conseguem localizar a altura, a largura e o comprimento, além da quantidade de eixos rodantes e suspensos, que funcionam até mesmo em situações de baixa visibilidade.

Para Marcel Zorzin, diretor operacional da Zorzin Logística, esta nova implementação é extremamente benéfica, especialmente para as empresas de transporte rodoviário de cargas, pois acarretará diminuição considerável no tempo das viagens.

“Será muito importante e benéfico, já que pagaremos por aquilo que usarmos, ou seja, seremos cobrados pelo quilômetro rodado, uma forma mais justa. Para mim, o grande diferencial será a diminuição do tempo nas viagens, visto que ficamos um terço do tempo das viagens parado nas praças de pedágios, e com essa nova ferramenta teremos menos prejuízos”.

A expectativa pela modernidade dos processos atuais deve-se pelas dificuldades encontradas nas malhas brasileiras relacionadas aos pedágios. Um exemplo disso é o impasse na governança dos pedágios do Paraná, sem administração nem funcionamento em suas rodovias e trazendo incertezas para as empresas que desejam saber como ficarão os preços atribuídos na nova gestão.

Segundo a Secretaria do Estado de Infraestrutura e Logística, os leilões iniciais para a primeira etapa de vendas dos lotes 1 e 2 estão previstos somente para 24 de agosto e 16 de setembro na Bolsa de Valores de São Paulo.

 Franco Gonçalves, gerente administrativo da TKE Logística, empresa que atua constantemente pelas vias paranaense, comenta sobre a importância de entender como essa questão será resolvida e compreende que o sistema free flow pode ser umas das alternativas.

“Até por ser uma questão de edital novo publicado, poderia já ser trabalhado com a previsão e a implantação de uma nova tecnologia. Já na questão do novo sistema de pedágio, poderá nos proporcionar uma velocidade média maior nas viagens e ganho de economia em relação à combustível e peças (pneus e freios, por exemplo), bem como uma maior segurança na questão dos acidentes provocados pelo trânsito, como engavetamentos e perda de controle, entre outros”, descreve o executivo.

 Ainda que o avanço esteja sendo muito comemorado, as empresas de transporte adotam cautela no formato do novo pedágio para saber como, de fato, funcionará esse modelo. Para Franco e Marcel, espera-se que exista um sistema rápido e prático ao qual todos tenham acesso.

“Espero que tenha um sistema mais simples de leitura de placa e tags em que não exista mensalidade e que ofereça acesso a todas as empresas e veículos. Com certeza vai ajudar no transporte. Mas volto a reiterar a motivação para que isso aconteça em todas as rodovias, o que diminuirá o tempo das viagens. É claro que está no início, mas acredito que dará certo”, pondera Marcel Zorzin.

 Já na opinião de Franco, devido à incerteza do funcionamento desse novo sistema, é preciso olhar os dois lados da “moeda”, pois nem todos possuem acesso efetivo nesse modelo de cobrança.

“É importante conversar sempre sobre como será realizada a cobrança dessas passagens, não apenas para evitar cobranças em duplicidade, mas também para os casos de usuários que não possuam tags para pagamento. Então pergunto: como vai funcionar? Se você passa bastante por uma região, talvez tenha o conhecimento de algum aplicativo da concessionária, mas e se for uma rota nova? A pessoa vai receber uma multa por não pagamento? Enfim, é preciso analisar com cuidado”, finaliza o gerente administrativo da TKE Logística.

Bruno Castilho

bruno@cargasetransportes.com.br