27 de maio de 2024

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Joyce Andrews

Governança corporativa

Prática é pressuposto de solidez e longevidade das empresas. A governança corporativa é um pilar relevante e indissociável da prosperidade e longevidade das organizações, segundo articulista

 O noticiário brasileiro trouxe à tona casos de fraudes contábeis em grandes empresas com operação no país, comprovadas ou ainda sob investigação. É um cenário que pode ter levado investidores a colocar em descrédito a governança corporativa de companhias nacionais ou multinacionais, de uma forma geral. No entanto, é preciso esclarecer que a realidade em muitas empresas é completamente diferente deste cenário e que a governança praticada é, na verdade, uma referência.

Por mais que seja menos visível a olhares externos que ações ambientais ou sociais dentro do escopo ESG, a governança corporativa é um pilar relevante e indissociável da prosperidade e longevidade das organizações. Contudo, não basta haver apenas o cumprimento de um extenso rol de ações, de um mero checklist. É preciso ter a base de tudo: a instalação de uma cultura ética.

Em geral, funcionários não acordam em determinado dia pensando em não agir de forma ética, em fraudar a companhia ou praticar um ato de corrupção. O ambiente é fator decisivo para isso. Por exemplo, ao estabelecer metas irrealistas para o alcance de bonificações ou indicadores estratosféricos de desempenho unicamente financeiros e de curto prazo, a companhia tende a se pautar apenas por decisões equivocadas e com atalhos. Ainda mais grave: pode passar a mensagem para a organização de que vale tudo pelo resultado.

Os mecanismos, processos, regras e órgãos de governança em uma empresa devem ser vistos como criação de valor e não como burocracias necessárias. Não entender os motivos e a importância de tais ações equivale a não implementar nenhuma ação. Se uma auditoria é contratada por obrigação legal e não por sua importância para a proteção do negócio, aí está o problema.

As linhas de proteção ao negócio não funcionam se não for para valer. É preciso haver vontade e implementação de forma genuína para que aconteça a geração de valor advinda da boa prática da governança corporativa. 

É necessário que todos: acionistas, conselheiros, executivos, colaboradores, fornecedores e demais stakeholders enxerguem que a governança e a ética são fundamentais para a organização – como os rodeiros são necessários para que os vagões andem sobre os trilhos, em uma metáfora apropriada para a atividade da VLI.

Desde sua criação, em 2010, a VLI trabalha com sólidos conceitos de governança corporativa, que, como em toda caminhada, foi ganhando elementos ao longo do tempo. Não é possível implementar todas as boas práticas da noite para o dia. Para ir além do checklist, é preciso incorporar a governança no dia a dia da empresa, como condição de contorno para qualquer decisão. É também de fundamental importância eliminar e neutralizar qualquer situação de conflitos de interesses. A começar dos acionistas. Os acionistas dão o tom para toda organização.

A VLI tem como acionistas grandes companhias nacionais e multinacionais, que já pactuaram que a governança da companhia é mais forte do que qualquer vontade individual. Isso tem um valor imensurável, ou seja, é uma cadeia de pensamentos uniformes, em que todos estão cientes de que é necessário caminhar em direção a um propósito comum, sem desvirtuar regras, práticas, mecanismos e de que é preciso fazer a coisa certa, sem atalhos.

O fortalecimento da infraestrutura é condição essencial para o crescimento do país, o que se encaixa com o propósito da VLI: a transformação da logística nacional. Tudo isso passa antes pelo reforço de processos internos das empresas do setor, pela educação e engajamento de empregados em temas como cultura ética, governança, gerenciamento de riscos e compliance; e pelo entendimento cada vez mais claro no país – tal como se vê no exterior – de que tais valores compõem o interesse público. No mundo corporativo, a boa governança sempre será um pressuposto da solidez e da longevidade dos negócios.

Artigo de Joyce Andrews, diretora executiva jurídica e de governança corporativa, riscos e compliance da VLI