19 de julho de 2024

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Pneus: importação desleal

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Importação desleal de pneu ameaça empregos e investimentos no país, alerta ANIP. Essa concorrência desleal, ainda segundo a Associação, está ameaçando empregos, coloca investimentos futuros em risco e traz desorganização da cadeia produtiva, afetando também produtores de borracha, de têxteis, de produtos químicos e de aço

A ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos) está buscando junto ao Governo Federal medidas emergenciais para conter o surto de importação desleal de pneus da China e de outros países da Ásia no mercado brasileiro. Dados da entidade, levantados com base nas informações de importação da Receita Federal, mostram que 50% dos pneus importados da Ásia entram no país com preços inferiores ao das matérias primas usadas no produto e 100% das importações estão abaixo do custo de produção industrial.

 “Essa concorrência desleal está ameaçando empregos, coloca investimentos futuros em risco e traz desorganização da cadeia produtiva, afetando também produtores de borracha, de têxteis, de produtos químicos e de aço, insumos usados largamente na produção de pneus”, diz Klaus Curt Müller, presidente da ANIP.

 A entrada indiscriminada de pneus importados está afetando duramente a indústria instalada no país. De 2017 para 2023 as vendas de pneus da indústria nacional, para passeio e carga, caíram 18%, enquanto as importações cresceram 117%. Quando comparamos os cinco primeiros meses de 2017 e de 2024, o mercado nacional encolheu 19% e as importações cresceram 229%, levando a indústria nacional aos anos pandêmicos da COVID-19.

“Este avanço se deu por conta dos preços desleais. Enquanto grandes mercados como EUA, Europa e México ergueram barreiras para proteger suas indústrias, o Brasil virou ponto de desova do produto vindo especialmente de países asiáticos”, diz Curt.

 Os efeitos já começam a ameaçar empregos. A indústria de pneus instalada no país emprega 32 mil trabalhadores diretos e 500 mil indiretos. Dos diretos, 2.500 funcionários já estão em suspensão ou redução da jornada de trabalho (lay-off), o que é preocupante, uma vez que a manutenção de emprego e renda é essencial para o crescimento do país.

“O Brasil levou muito tempo para construir uma cadeia industrial de pneus, o que é estratégico para um país de dimensão continental que utiliza intensamente o modal rodoviário, e agora todo este esforço está sob ameaça”, diz Curt. “Se medidas emergenciais não forem tomadas para garantir uma concorrência saudável corremos o risco de assistir a uma desindustrialização do setor”.

 O presidente da ANIP enfatiza que a entidade e os fabricantes não são contra as importações. “O que queremos é garantir condições isonômicas de competição e medidas para corrigir a concorrência desleal que se instalou no comércio internacional de pneus com o Brasil”.

O Brasil tem hoje 11 fabricantes de pneus com operações no país. São 21 plantas industriais, distribuídas por 7 estados. Este conjunto foi responsável pela venda de 52 milhões de pneus no mercado local em 2023. As fabricantes instaladas no país investiram nos últimos 10 anos cerca de R$ 11 bilhões em suas unidades fabris para excelência de processos, aumento da capacidade de produção, tecnologia, inovação e sustentabilidade.

 “Os novos ciclos de investimentos estão sob análise neste momento. Essa situação afetou a atratividade do país para investimentos. Com isso, perdemos investimentos par outros países”, diz o presidente da ANIP.

A concorrência desleal dos pneus asiáticos também está causando danos ambientais no Brasil. Os fabricantes nacionais há anos cumprem as metas de recolhimento de pneus inservíveis no mercado doméstico. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) mostram que os fabricantes nacionais têm um saldo acumulado de 127 mil toneladas de pneus recolhidos para reciclagem. Os importadores, por sua vez, têm um passivo ambiental de 419 mil toneladas de pneus não recolhidos. “Este dado é preocupante para o país. Enquanto a indústria nacional está comprometida com destinação correta do resíduo que gera, vemos empresas caminhando em outra direção”, finaliza Curt Müller.

Bruno Castilho

bruno@cargasetransportes.com.br

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