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Gerindo riscos

A gestão de risco para traçar rotas seguras, um diferencial para enfrentar o roubo de cargas São mais de 10 mil por ano, segundo a NTC&Logística

O Brasil costuma aparecer em uma lista internacional da qual não temos nenhum orgulho: é um dos países, em todo mundo, com maior número de ocorrências de roubo de cargas. São mais de 10 mil por ano, segundo levantamento mais recente da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). No primeiro semestre de 2025, houve um crescimento de 25% em relação a igual período do ano anterior.

É um desafio e tanto, para nós, players de logística. A solução passa por uma política de segurança pública mais efetiva, no entanto não podemos esperar até que isso se concretize. Nós, transportadores, devemos buscar – e estamos buscando – por saídas que nos livrem do problema, que é muito mais do que econômico, e financeiro: põe em xeque vidas humanas.

Faz parte de nossa realidade a adoção do gerenciamento ou gestão de risco, uma abordagem estratégica dos negócios para identificar, analisar e controlar pontos frágeis, arriscados, de uma operação. No caso, as operações de transporte e entrega de mercadorias.

Um dos objetivos da gestão de risco em nosso setor é traçar rotas seguras para serem cumpridas pelos nossos veículos.

Um report da plataforma de logística Nstech confirma nossa percepção empírica: a de que roubos de carga acontecem especialmente em trechos urbanos, inclusive de rodovias, e no período da manhã. Mercadorias como produtos alimentícios, eletroeletrônicos, cargas fracionadas, entre outras, estão entre os alvos principais.

Costumo dizer que carregar muitos desses itens tem o mesmo perigo que carregar dinheiro vivo. Um pequeno furgão, um automóvel comercial, de carga, com uma Fiorino, com seu bagageiro completo de café, por exemplo, transporta uma carga de R$ 30 mil. Isso, evidentemente, atrai a cobiça do crime organizado.

Há como escapar? Acredito que é possível mitigar sobremaneira os riscos. Para tanto, tecnologia é importante. Sistemas de rastreamento, como o SSW, que permitem acompanhamento detalhado de toda operação, é um ganho e tanto em segurança. Sabemos ainda da opção por escolta armada, contudo só é viável para cargas de elevado valor agregado.

Somando-se à tecnologia, uma boa dose de inteligência humana é indispensável. Nada como profissionais que conhecem rotas e territórios, em campo, para nos alertar de trajetos perigosos, e nos apresentar itinerários alternativos, e ao mesmo tempo seguros.

A contratação de motoristas moradores das regiões onde a mercadoria é entregue se mostra como iniciativa bastante eficaz. Eles conhecem os trechos mais visados, conseguem perceber in loco eventuais sinais de risco, sabem onde estão os caminhos mais adequados.

Os estudos nos ajudam na gestão de risco. Como disse há pouco, o report da Nstech cita que, em vias urbanas, horários pela manhã são os preferidos pela criminalidade. A quinta-feira, o dia da semana com mais registros de roubos. Ora, sempre que possível, então, o ideal é optar por outros períodos do dia, e outros dias da semana, para a realização de entregas.

O tempo de permanência de um veículo em seu ponto de entrega é um fator que pode ser decisivo. Quanto mais tempo parado diante de um estabelecimento, mais o veículo e sua operação de carga e descarga estarão na mira dos criminosos. Esse processo tem de ser, portanto, o mais rápido possível, para não dar chance a investidas. Em média, é possível fixar em no máximo 15 minutos a permanência de um veículo de carga em frente a um ponto de retirada ou entrega.

A transportadora precisa investir em suporte aos motoristas. Um call center para atendimento, especialmente para os condutores em circulação nas áreas mais perigosas, permite prevenção e, no caso de algum problema, tomada rápida de providências que mitiguem os impactos.

O mercado de transporte e logística no Brasil, em que pese a periculosidade do exercício dessa atividade, é pujante. De norte a sul, de leste a oeste, em todas as regiões do país podemos encontrar experiências exitosas no enfrentamento de problemas, como é o do roubo de cargas. Discorri, aqui, sobre algumas que têm feito parte de nossa rotina. Espero possa contribuir de alguma forma.

Artigo de Diogo de Oliveira, CEO do DL4 Group

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